Archive for the ‘Rotina Policial’ Category

Um ferimento nem sempre significa a morte (artigo)

sábado, agosto 30th, 2008

Um ferimento nem sempre significa a morte

Fonte: http://www.fenapef.org.br/htm/com_noticias_exibe.cfm?Id=57789

por Humberto Wendling*

 
Como já se sabe, a atividade policial é perigosa por  natureza. E como a Lei de Murphy é freqüentemente  uma companheira do trabalho policial, você precisa  se  preparar  para  as  eventualidades,  inclusive  a  de  ser ferido num tiroteio. Então, se algum dia você for  ferido, as seguintes dicas podem ajudar:
 
Termine o confronto! Isso parece óbvio, mas muitos  policiais  param  de  lutar  simplesmente  porque  acham  que  foram  feridos.  Ser  atingido  é  sempre  uma possibilidade, mas essa não é a hora para você desistir. Confirme  se o  criminoso não é  mais  uma  ameaça.  Se  ele  fugiu,  fique  onde  está.  Se  ele  caiu,  observe-o  (com  sua  arma  apontada para ele). Se ele ainda se move e representa um ameaça, continue atirando – faça na  medida do necessário até que a ameaça seja interrompida.
 
Fique  alerta! Criminosos  comumente  atacam  em  bando,  por  isso  fique  atento  à  presença  de  comparsas. Verifique sua arma – sane as panes e faça a recarga por precaução. Em situações  de  estresse,  ocorre  a  diminuição  da  irrigação  sanguínea  originando  a  hipoxia  retiniana (deficiência de oxigênio nos tecidos orgânicos), o que leva ao encurtamento do campo visual de  fora  para  dentro  (perda  da  visão  periférica).  Isso  é  Visão  em  Túnel.  Olhe  à  sua  volta,  escaneando o ambiente, para compensar a diminuição do seu campo visual.
 
Proteja-se! Vá para uma posição barricada se você não fez isso antes. Não coldreie sua arma,  apenas  proteja-se.  Posições  protegidas  funcionam  como  um  grande  colete  balístico  capaz  de  oferecer proteção para todo o corpo.
 
Peça  ajuda! Respire  fundo  algumas  vezes,  chame pelo  rádio HT  ou  telefone  celular de modo  simples e direto. Diga seu posto, nome, o local onde está e que foi ferido. Esqueça os códigos e  os protocolos de comunicação (código Q, por exemplo), apenas  forneça  informações vitais de  maneira  clara. Não perca  tempo  falando  com pessoas que não  podem ajudar,  ligue  somente  para o serviço de atendimento de urgência. Confirme se o atendente entendeu as informações. A ajuda já está a caminho, então esqueça o HT e volte sua atenção para a ocorrência. 
 
Avalie  seu  estado!  Se  você  estiver  usando  um  colete  balístico,  os  impactos  nele  provocam muita dor, mas são apenas hematomas. Sem o colete, os ferimentos são mais sérios – ache-os  rápido. Ferimentos nos músculos podem não doer tanto e, às vezes, não sangram muito devido à vasoconstrição provocada pelo estresse. Se o  ferimento doer demais, provavelmente algum  osso foi quebrado – mas se calcificarão. Ferimentos na cabeça sangram em abundância, mas se você está consciente o suficiente para notar o sangramento, então o ferimento talvez não seja uma  ameaça  imediata.  Contudo,  o  impacto  grave  de  um  projétil  na  cabeça  deixará  você inconsciente.
 
Faça os primeiros socorros você mesmo! À medida que você se acalma, o sangramento tende a aumentar, assim pressione o ferimento o máximo que puder. Utilize suas mãos, sua camisa ou um  lenço –  improvise. Você  tem aproximadamente cinco  litros de sangue no seu corpo. Você pode  perder  cerca  de  20%  disso  e  ainda  permanecer  consciente.  Isso  dá  quase  um  litro  de sangue, então derrame o conteúdo de uma embalagem Tetra Pak para você  ter uma  idéia do tamanho da poça que  isso  representa. Portanto, se você não  sangrou esse  tanto, você ainda está bem. Caso contrário adicione mais compressas ao ferimento e comprima bem.
 
Realize a  respiração tática ou de combate! Inspire  lenta e profundamente pelo nariz, e expire lenta e profundamente pela boca. Isso vai oxigenar seu cérebro e dificultar o desmaio. Continue alerta! Peça ajuda novamente, e forneça dados complementares sobre sua localização.
 
Acredite  que  o  socorro  está  chegando  e  não  desista!  Quando  um  policial  é  ferido,  todos  os outros policiais correm até o local do incidente. Primeiro para prestar auxílio ao colega baleado, e segundo para  iniciar a perseguição. As unidades de  resgate provavelmente estarão no  local em  poucos minutos.  Por  isso,  enquanto  aguarda,  lembre-se  que  se  você  ainda  estiver  vivo quando  o  resgate  chegar,  suas  chances  de  sobrevivência  são  de  aproximadamente  90%.
Mantenha a respiração tática para “normalizar” os batimentos cardíacos e o nível de estresse. Para manter suas esperanças e seu moral elevado, converse pelo rádio com outro colega.
 
Compreendendo essas dicas e as revendo periodicamente, você pode lutar contra o medo e o estresse aumentando  sua probabilidade de  sobreviver à  situação  de  conflito na  qual  você  foi
ferido. 
 
Este  é um procedimento que  você deve  treinar  por  conta própria,  porque até agora nenhum treinamento de tiro inclui instruções para quando se leva um tiro ou se perde um confronto, e infelizmente muitos policiais tendem a pensar que isso nunca vai acontecer. Mas isso acontece e muito! Por isso, treine com sua arma, estude ou faça um curso de primeiros socorros porque isso pode e irá ajudá-lo um dia.
 
APF Humberto Wendling é Instrutor de Armamento e Tiro Delegacia de Polícia Federal em Uberlândia/MG - humberto.wendling@ig.com.br - (34) 3230-2031
 
Fonte: Agência Fenapef

Mais sobre algemas… ARTIGO e CHARGE

sábado, agosto 23rd, 2008

Abaixo, o link para a charge que bem representa o problema recente, da intromissão (sim, intromissão) ENTRE os Poderes da República:

http://charges.uol.com.br/2008/08/21/cotidiano-sem-preconceito/

Agora, um artigo de um Delegado da PF, onde, com muita lucidez, explana a diferença cultural (positiva) entre povos que aceitam sistemas de policiamento, em benefício da sociedade (mesmo que, às vezes, eles errem feio…)

 

 

Algemas, “London cabs”, súmula vinculante

Fonte: Folha de São Paulo – Editoriais – 22/08/08     JORGE BARBOSA PONTES

Foi em uma viagem a Londres que pude constatar o complexo de inferioridade que a grande maioria de nós brasileiros ainda cultivamos

NELSON RODRIGUES disse, depois de ganharmos nosso primeiro título mundial de futebol, em 1958 (Suécia), que, naquele momento, o brasileiro chutava para longe, definitivamente, o vira-lata que sempre foi. Infelizmente, o genial dramaturgo não acertou o prognóstico. Vemos ainda hoje, exatos 50 anos após Bellini levantar a Jules Rimet em Estocolmo, que o nosso “vira-latismo” anda mais forte do que nunca.
Foi em uma viagem a Londres, em 2006, observando pequenos detalhes da vida cotidiana na Inglaterra, que pude constatar o complexo de inferioridade, a culpa, a vergonha e até o ridículo que a grande maioria de nós brasileiros ainda cultivamos.
Em uma visita a uma unidade da Scotland Yard, uma das mais conceituadas Polícias do planeta e que goza de prestígio pelo respeito que tem aos direitos humanos daqueles que persegue em seu dia-a-dia, observei um cartaz que dizia que seus policiais deviam algemar, indistintamente, todos os que se encontrassem em condição de preso ou detido, pois os riscos se classificariam em apenas dois tipos: os conhecidos e os desconhecidos.
Nada mais democrático, profissional e técnico. Um homem rico, um senhor de idade, uma mulher, um político, um banqueiro, um homem culto, todos têm potencial para, ao se exasperar no momento estressante da prisão, colocar a vida do policial que o conduz, a de transeuntes ou a sua própria integridade em risco.
Não há como o policial perscrutar o que se passa na cabeça de uma pessoa que acaba de ser presa. Reação violenta não é exclusividade de homens de poucos recursos e pouca cultura. Um preso por crime financeiro ou por corrupção pode reagir de forma violenta ao perceber que caiu em desgraça e que terá sua fortuna, que foi amealhada ilegalmente, congelada pelas autoridades.
Não há por que condicionar, de forma absoluta, a colocação da algema ao crime cometido, relativizando o tratamento a ser dado aos infratores de colarinho-branco. Prevalecendo o que decidiu o Supremo Tribunal Federal, as equipes da Polícia Federal deverão contar, daqui em diante, com um paranormal para ler as mentes dos conduzidos e, conforme o caso, sugerir a colocação de algemas, de forma preventiva. Preso na Inglaterra significa algemado. E não há humilhação nisso. Não há nenhum prazer especial por parte do policial em algemar nem há humilhação extra do preso por ser algemado. Uma coisa pressupõe a outra. O sujeito preso fica numa cela, e a algema é a forma daquela condição de cerceamento de liberdade continuar quando houver necessidade de translado do preso. Não algemar seria a mesma coisa que deixar a porta da cela aberta.
As cabeças colonizadas, evocando princípios humanistas, resistem ao desenvolvimento de um aparelho repressivo que alveja ricos e pobres indistintamente. Esse traço cultural forte contrasta com o mundo em que vivemos e começa a ser desafiado por uma geração de delegados, promotores e juízes que, aprovados em concursos públicos muito concorridos, conquistaram uma posição de independência crítica em defesa dos interesses da sociedade e das instituições em que atuam. Procuram tachar de tratamento indigno a colocação de algemas quando estar algemado não é indigno. A prisão, ou melhor, os motivos da prisão talvez sejam a indignidade. Daí intentarem maquiar a vergonha, a indignidade da prisão, suprimindo um dos seus mais fortes “trade marks”, as algemas, e, dessa forma, impedindo que a sociedade perceba que sua própria máscara caiu. Mas faltaria ainda uma explicação em relação ao preso sem posses. Não se levantam os tribunais em defesa da humilhação do algemado desvalido “não perigoso” porque sua humilhação já precede a prisão. Ele já é humilhado por ser pobre, por ser destituído de camisas, gravatas e abotoaduras. A algema não grita, não cria contraste quando colocada num joão-ninguém.
 

JORGE BARBOSA PONTES, 48, delegado federal, é chefe da Interpol no Brasil e assessor internacional da Polícia Federal. Atua na área de cooperação internacional desde 1992.

Esclarecimentos sobre o trabalho policial na LAPD

quinta-feira, agosto 7th, 2008

Essa é a resposta do colega da LAPD quanto ao procedimento policial em situações muito comuns aqui no Brasil. Só que lá, é fácil conseguir  um mandado de busca, enquanto aqui a dificuldade e o desconhecimento de como se conseguir um reinam.
Italo Machado


Oi, Italo Machado.  Aqui vai as respostas para tuas perguntas.

<<<Qual é o procedimento se, digamos, após 1 hora de cometido um crime em que certas mercadorias foram roubadas você se depara com o criminoso, mas esse diga que as mercadorias estão guardadas agora em sua casa. Você, após efetuar a prisão do criminoso, faz o quê em relação às mercadorias? E se ele afirma que não sabe das mercadorias, mas há mínimo indício de que ela esteja na casa do suspeito?>>>

Aqui na CA (e nos EEUU) a policia só pode entrar na residencia de alguem por três razoes: 1) permissão do dono; 2) ordem judicial, ou 3) emergência.  Se eu prendo um criminoso e fico sabendo que a mercadoria roubada esta na casa dele, eu vou pedir permissão para entrar na casa e recolher a mercadoria.  Se ele permitir, vai assinar um papel dando esta permissão.  Ai, levamos ele para sua residencia e pedimos para ele nos mostrar onde esta a mercadoria.

Se o criminoso se recusa a permitir a  entrada na casa dele, na delegacia preparamos uma ordem de busca e entramos em contato com o promotor publico para ele/ela ler a ordem e aprovar o conteúdo.  Assim que o promotor aprova o texto da ordem, comparecemos na corte e apresentamos a ordem para um juiz assinar.  Durante horário de expediente, isto levaria uma ou duas horas.  Fora do expediente, enviamos a ordem por fax para o promotor publico de plantão, e depois de aprovada por ele/ela, ligamos para um dos juizes que moram perto da nossa delegacia e enviamos a ordem para ele via fax.  O juiz então manda a ordem de volta por fax com seus rascunhos na margem (sempre tem alguma coisa que ele quer mudar) para serem corrigidos.  Assim que a correção esta feita, o policial ou detetive que preparou a ordem liga para o juiz em casa e o juiz poe o policial/detetive em juramento e manda o policial imprimir o nome do juiz na ordem.  Pronto.  Isto normalmente leva entre 3-4 horas.  Com a ordem em mãos, vamos para a casa do criminoso e fazemos a busca. 

 

<<<Em outro exemplo, você se depara com um traficante e um usuário de drogas. Ambos com pequenas quantidades de drogas, mas com suas
condutas bem definidas. O usuário confessa que, há pouco, estava na
residência do traficante e que lá existe grande quantidade de drogas,
armas e utensílios utilizados para o tráfico. Qual é a conduta da
polícia, em geral, nos Estados Unidos em relação a essa situação?>>>

A mesma conduta explicada acima.  Só’ a palavra do usuário não e’ suficiente para uma ordem de busca.  Vamos comecar por pedir permissao ao traficante, e muitas vezes ele permite a busca (não entendo a mente criminosa).  Senão, preparamos a ordem de busca depois de uma pequena investigação para tentar corrobar a confissão do usuário.  Se o traficante tem quantidade suficiente para vender, e’ mais fácil fazer o juiz assinar a ordem, do que se o traficante só tem uma quantidade suficiente para uso pessoal.

 

<<<Se possível, explique como e por quem os mandados de busca e apreensão são elaborados, entregues à justiça, analisados e deferidos. Ainda, se possível, diga qual o tempo que leva entre a prisão e a expedição do mandado de busca e apreensão.>>>

Creio que isto foi incluído nas explicações acima.

Abraços.

André Belotto
Los Angeles, CA

SENDO PRESO, EU QUERO SER ALGEMADO

quinta-feira, agosto 7th, 2008

Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal, aproveitando um julgamento sobre um caso específico, determinou explicitamente que o uso das algemas em prisões dos cidadãos deve ser um caso excepcional, tendo que ser usada quando houver risco para o detido, para o policial ou para a sociedade. Essa medida veio após diversas reclamações das classes sociais mais favorecidas, principalmente, que se sentiram prejudicadas pelo uso, até então discriminado, desta forma de contenção, principalmente pela Polícia Federal, e a farta exposição dessas imagens pelos diversos meios de mídia.

 

Como instrutor de Direitos Humanos e Cidadania para policiais, não posso deixar de considerar que essa inovação do STF tem conseqüências imprevisíveis, pois, ao fim, não veio a resolver, mas complicar. O uso das algemas sempre foi determinante para a segurança dos policiais, evitando uma possível reação do detido, o que, na maioria das vezes, não pode ser previsto pelo aparato policial, bem como não pode ser respondido por outros meios, a não ser com o uso da força. Também, a contenção do detido torna-se importante para a própria sociedade, pois esta tem a confiança de que aquele conduzido pelas forças de segurança não irá evadir, sendo devidamente conduzido às autoridades, não retornando imediatamente ao seio comunitário. E, como não poderia deixar de ser, também é de extrema importância para a segurança do próprio conduzido, pois o aparato policial no Brasil não possui meios de contenção às reações dos detidos, com efeitos não letais ou equivalentes, de forma generalizada. Em outras palavras, decorrente da pressão social contínua, onde (com justiça, convenhamos) será defendido o não uso das algemas para todos do povo, vamos ter policiais com um nível de alerta mais elevado, portando armas com mais tensão, além destes agentes irão sempre se comportarem como se o detido fosse sempre reagir, e que poderão vir a interpretar todos os movimentos do custodiado como uma ameaça para si e para outros. Daí, já dá pra imaginar, quais são as notícias que irão aparecer. Por isso, reafirmo que, em caso de uma prisão ou detenção da minha pessoa, farei questão do uso da algemas para minha condução, deixando o meu condutor em condições de diminuir a sua preocupação comigo, o que será seguro para todos nós, haja vista o nível de habilitação técnica das nossas polícias brasileiras.

 

Neste contexto, me sobressai uma preocupação: e como fica a definição, para o agente de segurança pública, em que momento de excepcionalidade terá que ser usado o par de algemas? Numa sociedade em que se cobra muito do serviço policial, porém oferece parcos meios a um serviço público tão importante, o policial não terá, de fato, indicações e padrões de comportamento social para se orientar. Só nos resta temer por mais uma ação imediatista e incompleta, com um viés de proteção direcionado a uma certa parcela social, mas que não vem a resolver um problema, como um todo, que é a correta aplicação da Justiça – para todos, indiscriminadamente.

Análise de ocorrência com morte de policial

quarta-feira, julho 30th, 2008

Algumas ocorrências policiais merecem destaque pela análise dos fatos. Atualmente, estou ministrando, pelo DPRF, as disciplinas relacionadas com os Direitos Humanos e Cidadania, após trabalhar quase 6 anos com armamento e tiro (armas longas, especificamente) e abordagem. Mas a mudança de disciplina não influiu no meu raciocínio operacional - até porque, abordagem e direitos humanos, por exemplo, tem tudo a ver. Estão enganados aqueles que pensam que os direitos humanos são dissociados do exercício pleno da autoridade policial, ou que não dá pra exercer esta, sem ferir aquela. Ledo engano. O bom policial usa a força (na medida certa), sua autoridade (na hora certa), e propõe medidas restritivas (principalmente, com a pessoa certa), com toda a paz na consciência, fiquem com esta certeza.

Então, defendo sempre os direitos humanos devidamente aplicados com o uso da força coercitiva estatal, que é nossa atribuição como policial. Quem não concordar com isso, penso que deva abandonar a Força de segurança pública a que pertence, acredito. Inclusive, deve-se inovar o raciocínio de direitos humanos sob duas novas abordagens: aprimorar as ferramentas e utensílios do exercício da força, para que elas fiquem sempre coadunadas com os direitos humanos básicos e que surjam (cada vez mais, sempre) policiais que defendam seus PRÓPRIOS direitos humanos.

Neste raciocínio, polemizo ao defender o uso da contenção em ocorrências policiais, mediante algemas, considerando que isto é o ideal , para que a restrição de liberdade (ato extremo, porém legítimo) torne-se instrumento de proteção e defesa do cidadão detido e da própria sociedade, tendo como efeito subsidiário a manutenção das condições seguras da guarnição policial envolvida na ocorrência. Sei que não é ponto pacífico o assunto, e esse raciocínio é bastante polêmico, mas merece uma boa observação, seja técnica ou jurídica, pois algumas ocorrências, conforme exemplo abaixo, podem ter um desenrolar trágico, se não forem tomadas medidas corretas de procedimento. Daí, resultam-se prejuízos irreparáveis, bem como a assunção, mesmo que subliminar, das instituições policiais (e, nesta ocorrência específica) e de saúde pública.

 

Homem reage à prisão, mata policial, e morre em Orizona- Goiás

Fonte: http://v5.dm.com.br/ultimas/92253

O policial militar Rui Barbosa e Juarez Câmara de Oliveira morreram ontem (29) em ação da PM, em Orizona, a 139 km de Goiânia. De acordo com a Polícia Militar, Juarez era um ex-assentado do Movimento dos Sem-Terra, que teve problemas com vizinhos e começou a vagar por pastos das fazendas da região. Em uma das propriedades ele foi visto pelo proprietário quando acertava pedras no gado. A polícia foi chamada para conter a ação.

Com a chegada da PM à fazenda, Juarez começou a apedrejar os policiais, mas foi preso logo em seguida. Segundo informações da Polícia Militar, Juarez foi preso e colocado no banco da frente da viatura, e no momento que seria levado para o banco de trás, pegou a arma de Rui e atirou no oficial. Após matar o policial, Juarez atingiu um segundo oficial no ombro, e um terceiro na barriga. O quarto policial sacou sua arma e efetuou disparo contra Juarez, que morreu no local.

O policial atingido na barriga, identificado apenas como Cabo Marcos, foi transferido para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), o oficial atingido na perna está no Hospital de Orizona.

Fato curioso: ‘Roubo milionário’ não tem vítima

quarta-feira, julho 30th, 2008

‘Roubo milionário’ não tem vítima

Fonte: http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=322790

A Polícia de Mato Grosso investiga um roubo milionário praticado por quatro rapazes moradores de Cuiabá. Com o dinheiro, eles compraram veículos e motos de luxo e passaram a esbanjar dinheiro. O esquema começou a ser descoberto quando dois deles resolveram passear na praia.

O roubo – cujo montante seria entre R$ 3 e R$ 6 milhões - teria ocorrido há cerca de 10 dias. Os ladrões poderiam ser presos se não fosse um simples detalhes – ainda não existe vítima. A Polícia não sabe de quem é o dinheiro e as suspeitas recaem sobre algum candidato que concorre nas eleições deste ano.

“Não encontramos banco assaltado nem arrombado. Não tem empresa, nem aqui nem em Estados próximos. Então, é possível acreditar que seja caixa dois – dinheiro de campanha que não pode ser declarado”, observou um delegado que participa das investigações. O Ministério Público Eleitoral (MPE) informou que todos os valores gastos na campanha precisam obrigatoriamente ser declarados. Caso contrário o candidato diplomado será cassado.

A notícia do roubo chegou até a Polícia de Mato Grosso após dois ladrões seguirem para o litoral paranaense. A Polícia daquele Estado desconfiou dos rapazes. Ao fazer a checagem da ficha criminal deles, descobriram que respondem a vários inquéritos. Além disso, os dois não souberam explicar como compraram os veículos. A partir daí, a investigação partiu para a movimentação financeira deles.

Em contato com a Polícia daqui, os investigadores paranaenses queriam saber se havia indícios de algum roubo ocorrido recentemente porque dois rapazes estavam torrando dinheiro. Nas buscas realizadas na Grande Cuiabá e no Estado todo, não foi detectado o registro de assalto algum. Em contrapartida, os policiais descobriram que quatro ladrões participaram de um assalto e dividiram o dinheiro entre si.

Havia uma suspeita de que o dinheiro todo estaria escondido numa casa em Cuiabá, e que seria da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Tal hipótese, porém, foi rechaçada pela Polícia, uma vez que se algum ladrão fizesse isso teria sido assassinado dias após a ação criminosa.

“Uma empresa privada que tivesse sido vítima de um roubo milionário certamente procuraria a Polícia. O que intriga é que temos tudo, menos a vítima. E sem vítima, não tem crime”, lembrou outro delegado.

Sem registro de ocorrência, as informações são desencontradas. O valor também não foi confirmado, mas seria entre R$ 3 e R$ 6 milhões, uma quantia considerável e que levantou a cobiça de outros ladrões. Os dois assaltantes que estariam em Cuiabá, mais precisamente no bairro Santa Isabel, já teriam fugido.

Polícia do Rio matou 47% mais que em 2006, diz ISP

sexta-feira, julho 25th, 2008

Polícia do Rio matou 47% mais que em 2006, diz ISP

Fonte: Notícia UOL

Entre janeiro e maio deste ano, a polícia fluminense matou 649 pessoas em supostos confrontos - os chamados autos de resistência -, segundo divulgou hoje o Instituto de Segurança Pública (ISP), da Secretaria de Segurança do Estado. Esse número é 47,16% maior que o número de mortos nos cinco primeiros meses de 2006, último ano do governo Rosinha Garotinho (PMDB). Em 2007, primeiro ano do governo Sérgio Cabral (PMDB), foram 586 mortos - 10,75% de aumento esse ano em comparação ao mesmo período. De abril para maio, o crescimento foi de 144 para 147, ou 2,98%.

“Esse aumento é o resultado direto da política que estimula o assassinato. Quando os responsáveis pela política de segurança dizem que o número de mortes é um estresse necessário, as forças policiais se sentem à vontade para cometer abusos. É uma carta branca que eles têm para atirar primeiro e perguntar depois”, diz o cientista social Geraldo Tadeu Monteiro, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS).

Entre os crimes que registraram maior aumento porcentual, quando comparados ao mesmo período do ano anterior, estão extorsão (com mais 28,9%, ou 158 casos), latrocínio (20,8%, ou 15 vítimas) e roubo a transeunte ( 18,5%, ou 4.321 casos). Já entre os delitos que tiveram maior redução porcentual estão roubo a residência (com menos 19,1%, ou 132 casos), roubo de veículo (18,2%, ou 2.638 casos), estupro (9,5%, ou 57 vítimas), homicídio doloso (menos 9,25%, ou 219 vítimas).

O levantamento do ISP mostrou ainda a queda da chamada atividade policial. Houve menos apreensões de drogas nos primeiros cinco meses deste ano, em relação ao mesmo período de 2007 (menos 6,2%, ou 272 registros), menos apreensões de adolescentes infratores (6,3%, ou 51 registros), e menos armas apreendidas (11%, ou 531 registros). Houve aumento dos cumprimentos de mandados de prisão (10,3%, ou 422 mandados) e de prisões em flagrante (0,9%, ou 58 registros).

Clarissa Thomé

Aumentam casos de latrocínio e roubo a transeunte no Rio, diz ISP

sexta-feira, julho 25th, 2008

Aumentam casos de latrocínio e roubo a transeunte no Rio, diz ISP

Fonte: Globo RIO

O Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgou nesta sexta-feira (25) os dados da pesquisa sobre o índice de criminalidade no Estado do Rio, referentes ao mês de maio. O crime de latrocínio, que é o roubo seguido de morte, teve aumento de 29,4% - cinco vítimas a mais em relação ao mesmo período do ano passado.

O roubo a transeunte foi o delito que apareceu com a segunda maior taxa de aumento neste levantamento. Considerando o acumulado até maio de 2008, foram 4.321 casos, mais 18,5% no comparativo com o mesmo período do ano passado.

Os números contabilizados pelo Núcleo de Pesquisa em Justiça Criminal e Segurança, registraram aumento em outros 13 tipos de ocorrência e queda em outros 18. Destaque para a redução de 11,8% no número de homicídios dolosos, em comparação a maior de 2007, com menos 55 vítimas.

Entre os delitos que merecem atenção pela menor incidência estão roubo de veículos (queda de 18,2%), furto de veículos (queda de 3,8%), roubo em coletivo (queda de 4,6%), roubo a residência (redução de 19,1%) e lesão corporal seguida de morte (queda de 29,2%).

Outras ocorrências que tiveram aumento foram homicídio culposo (aumento de 0,6%), auto de residência (aumento de 10,8%) e roubo de aparelho celular (aumento de 5,1,%). Todas as porcentagens são referentes ao acumulado de 2008, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Foram analisados 39 itens, sendo 33 sobre tipos de crimes e seis sobre atividades policiais. Os dados são usados pela polícia para planejar as operações e orientar o patrulhamento nas áreas onde os índices de criminalidade são maiores.

Exemplo de como funciona a polícia americana

sexta-feira, julho 25th, 2008

Convido a todos os policiais a conhecerem o POLICIAL-BR, um fórum policial que congrega profissionais da segurança pública brasileira e internacional, e que está aberto a todos os policiais interessados, através de pedido de cadastramento, pelo e-mail policial-br@yahoogrupos.com.br.

Neste fórum, destaco uma situação que achei interessante compartilhar no blog, que foi a discussão abaixo, e vou postá-la integralmente, aqui. O PRF ITALO fez a seguinte pergunta para ANDRE BELOTTO, brasileiro natualizado norte-americo e policial da LAPD (Los Angeles Police Departament):

“O colega de Los Angeles podia informar como é o sistema de mandados de prisão nos EUA (nacional, estadual ou municipal) e se há algum entrave para cumprir uma prisão de um foragido de localidade distante. Por fim (já que peço tão pouco…), podia tentar esclarecer se demora e como se dá a transferência desses presos foragidos capturados em outras localidades que não as da expedição dos mandados”.

Daí, BELOTTO respondeu (não fiz nenhuma correção gramatical):

Vou explicar o sistema do começo ao fim, para ficar mais fácil de entender.

Vamos usar o crime de assalto armado.  Os detetives da minha delegacia estão investigando um assalto armado que teve ocorrência na nossa área de responsabilidade.  Eles identificam o suspeito depois de entrevistar a vitima e testemunhas, e analisar provas físicas, biológicas, etc.  Eles apresentam o caso para o promotor do condado, que registra um processo criminal de assalto armado contra o suspeito “João Bandido” por violar a lei penal do estado da California que proibe assalto armado.

O promotor entao apresenta o caso para um dos varios juizes da corte criminal local, e o juiz emite um mandado de prisao contra João Bandido.  Dependendo da seriedade do crime, ficha criminosa de João, o juiz decide o valor da fianca que vai ser ligada com o mandado.  Assalto armado geralmente leve uma fianca de US$ 100.000 aqui em Los Angeles.  Depois da assinatura do juiz no mandado, a secretaria do juiz digita a informacao do mandado no sistema de mandados judiciais.  O mandado contra João Bandido sera divulgado no sistema de mandados judiciais do condado, do estado da California, e do sistema federal.

Digamos que João Bandido e’ parado por uma infracao de transito na cidade de Nova Iorque, no estado de Nova Iorque.  O policial faz um inquerito no computador da sua viatura com o nome João Bandido, e dentro de 5 segundos, o computador da viatura em Nova Iorque assessa o banco de dados da cidade de Nova Iorque, do estado de Nova Iorque, e do governo federal.  O policial da NYPD entao recebe informacao que João e procurado pela LAPD por assalto armado.  Ele e’ preso pelo policial da NYPD, mas nao por assalto armado, pois o crime ocorreu na California contra o codigo penal daquele estado.  Mas como existe uma ordem de prisao contra João, ele e’ preso em Nova Iorque como foragido da justica do estado da California.  Foragido preso em outro estado nao tem direito a fianca.

Dentro de 48 horas, o detetive da LAPD e’ informado que João Bandido esta na cadeia em Nova Iorque.  Ele entra em contato com o promotor e informa ele ou ela da prisao de João.  O promotor entao pede um mandado de extradicao contra João para o promotor do estado da California, que representa o governador.  O mandado e’ despachado para o promotor publico da cidade de Nova Iorque, que apresenta o mesmo na audiencia do João na corte criminal de Nova Iorque.  O João tem duas opcoes:  1) concordar em voltar para Los Angeles e responder processo criminal por assalto armado, ou 2) nao concordar em voltar.  Neste caso o juiz de Nova Iorque examina o mandado de prisao da California e decreta que João seja extraditado de volta para Los Angeles.

O detetive encarregado do caso entao pega o proximo voo para Nova Iorque e vai buscar o João Bandido.  João e’ precessado na cadeia da minha delegacia e dentro de 48 horas e’ apresentado ao juiz para uma audiencia preliminar.  Nesta audiencia o João responde como “culpado” ou “nao-culpado.”  Se ele responde como culpado, ele voltara para a corte dentro de 30 dias para receber a sentenca.  Se ele responde nao-culpado, ele vai ser apresentado na corte dentro de 60 dias para seu julgamento.

Outro detalhe, como João foi extraditado para a California, o promotor de Nova Iorque vai retirar a queixa criminal contra João em Nova Iorque por ser foragido de outro estado.  O sistema funciona melhor assim.

Este foi uma exemplo de mandados de prisao entre estados.  A maioria dos mandados que nos servimos no dia a dia sao mandados locais contra criminosos locais.
Abracos.

Andre’ Belotto
Los Angeles, CA

P.S.  Agora, se passou um ano e ninguem achou o João Bandido, o detetive passa a informacao para a FBI em Los Angeles, e o agente da FBI apresenta o caso para o promotor federal.  Se o caso for suficientemente serio (assalto armado, homicidio, crime sexual, sequestro, etc.) o promotor federal prepara um mandado federal contra João Bandido pelo crime federal de “foragido inter-estadual com intencao de fugir de processo criminal.”  Agora, a responsabilidade de achar João Bandido, em qualquer parte do mundo, e’ da FBI.  Quando for achado (mais cedo ou mais tarde, todos eles sao encontrados) João vai responder ação criminal na corte federal, e depois sera devolvido para  Los Angeles.

Cursos oferecidos pela ENAP em Goiás

sexta-feira, julho 25th, 2008

 

CURSOS OFERECIDOS

ENAP – Escola Nacional de Administração Pública

 

Caros servidores da 1ª SRPRF/GO, estão sendo oferecidos diversos cursos, conforme planilha abaixo, em parceria entre a Escola de Governo do Governo de Goiás, a ENAP e nossa Regional, visando a melhoria de nossos conhecimentos em diversas áreas, sobretudo àquelas afetas ao gerenciamento e desenvolvimento de projetos.

O interessado deverá procurar o NUCAP para que seja realizada sua INSCRIÇÃO, quesito fundamental para participação nos cursos, que serão realizados na Sede da Escola de Governo de Goiás, situado no Jardim América, em Goiânia.

Maiores informações no NUCAP, fone 3901-3710 ou e-mail: jander.eustaquio@dprf.gov.br .

CURSOS

Carga-horária

MÊS

PERÍODO

HORÁRIO

 

 

 

INÍCIO

FIM

INÍCIO

FIM

TENDÊNCIA EM GESTÃO DE PESSOAS NO SETOR PÚBLICO

4

AGOSTO

11/08

11/08

9 H

13 H

GESTÃO DAS RELAÇÕES NO TRABALHO

4

AGOSTO

11/08

11/08

14 H

18 H

GESTÃO DE PROCESSOS DE MUDANÇAS

4

AGOSTO

12/08

12/08

8 H

12 H

GESTÃO POR COMPÊTENCIA E CAPACITAÇÃO

8

AGOSTO

13/08

13/08

8 H

18 H

ESTILOS DE GERENCIAMENTO: LIDANDO COM TAREFAS E

PESSOAS

4

AGOSTO

12/08

12/08

14 H

18 H

METODOLOGIA DE MAPEAMENTO DE COMPETÊNCIAS

 

NÃO

HAVERÁ

MAIS

 

 

LIDERANÇA E GERENCIAMENTO

12

AGOSTO

18/08

19/08

8 H

18 H

ELABORAÇÃO DE PROJETOS

40

AGOSTO

18/08

29/08

14 H

18 H

PLANEJAMENTO E LOGÍSTICA DE SUPRIMENTOS

24

SETEMBRO

01/09

03/09

08 H

18 H

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO – TURMA 1

40

SETEMBRO

08/09

19/09

08 H

12 H

ELABORAÇÃO E GERENCIAMENTO DE PROJETOS – TURMA 1

40

SETEMBRO

08/09

19/09

14 H

18 H

MELHORA DA GERÊNCIA PÚBLICA

40

SETEMBRO

08/09

19/09

08 H

12 H

ELABORAÇÃO DE EDITAIS PARA AQUISIÇÕES NO SETOR PÚBLICO

16

OUTUBRO

06/10

09/10

08 H

12 H

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO – TURMA 2

40

OUTUBRO

20/10

05/11

08 H

12 H

GESTÃO DE CONTRATOS DE SUPRIMENTOS

24

OUTUBRO

20/10

30/10

08 H

12 H

GERENCIAMENTO DE PROJETOS

40

OUTUBRO

20/10

05/11

14 H

18 H

ELABORAÇÃO E GERENCIAMENTO DE PROJETOS – TURMA 2

40

NOVEMBRO

10/11

21/11

08 H

12 H

GESTÃO DE CONTRATOS DE SERVIÇOS

24

NOVEMBRO

10/11

17/11

14 H

18 H