Quando informações internas confrontam outros dados…
sábado, agosto 23rd, 2008Abaixo, uma reportagem da FOLHA, acerca de dados do IPEA sobre acidentes. O importante a destacar, é o negrito onde contrapõem as informações “da PRF” (sic), e que precisam, urgentemente, serem respondidos ou abrandados, para que não passemos (como Instituição PRF) a imagem de um órgão que não dispõe de dados confiáveis. Sim, também sei que alguns órgãos de imprensa não são tão confiáveis assim, mas, convenhamos, não há como inferir algum ganho para esse canal de mídia, quando apresenta dados do IPEA (um órgão sério, apesar da tendência ideológica de esquerda que ainda vige em seu seio…).
Sobre a resposta do DNIT, dizendo que nossas rodovias federais cumprem as normas de segurança, tenho argumentos que para indicar o contrário. Recentemente, participei de um curso no próprio DNIT, onde ficou latente que as normas da ABNT (regras normativas que indicam a excelência e qualidade, em métodos específicos e científicos) não são aplicadas na maioria das estradas no Brasil, ficando apenas de fácil constatação sua aplicação nas rodovias pedagiadas, ou da região Sudeste. Alguém se habilita a provar ao contrário?
Rodovias inadequadas provocam acidentes com mortos e feridos, diz Ipea
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u436895.shtml
Acidentes em rodovias federais não são causados apenas pela má conservação das vias, mas também por características originais das estradas, como falta de passarelas e curvas mal projetadas.
A conclusão é de estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) concluído em julho, que analisou locais de acidentes e fez pesquisas de campo em duas rodovias - a BR-116, em São Paulo, e a BR-324, na Bahia.
Apesar de não quantificar as causas dos acidentes, o estudo “Fatores condicionantes da gravidade dos acidentes de trânsito nas rodovias brasileiras” contrasta, por exemplo, com dados da PRF (Polícia Rodoviária Federal) que apontam que apenas 1,82% dos 128 mil acidentes em estradas federais em 2007 foram causados por problemas nas vias.
Uma das medidas apontadas pelos pesquisadores do Ipea como forma de reduzir mortes e ferimentos nas rodovias é a análise das características geométricas das curvas, para eventuais correções em obras.
O estudo defende a adoção de soluções de baixo custo para evitar atropelamentos, como reforço na sinalização. Aponta ainda que acidentes com pedestres representaram 3,6% do total de ocorrências em rodovias federais de julho de 2004 a julho de 2005, mas responderam por 19,1% das mortes.
O Ipea também cita como modelo a ser seguido pelo Brasil a experiência da Europa, que criou programa para mapear áreas de risco em estradas. Para o instituto, a medida ajudaria a evitar colisões traseiras e laterais e saídas de pista, responsáveis por 40% dos feridos em acidentes entre 2004 e 2005.
O Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes) diz que as rodovias brasileiras são adequadas, pois seguem normas técnicas de engenharia.
De acordo com o coordenador de operações do órgão, João Batista Neto, acidentes são causados sobretudo por imprudência de motoristas e pedestres.
Berretta afirmou que o Dnit finalizará até dezembro um levantamento de pontos críticos nas rodovias federais. A partir dos dados, disse, o órgão sugerirá à PRF reforço do policiamento, providenciará a colocação de placas e, em último caso, fará obras de melhoria.
O consórcio Autopista Régis Bittencourt, que administra a BR-116, disse que vai fazer um estudo detalhado de todas as curvas da estrada para definir medidas para melhorar a segurança dos usuários.